Venda de caminhões perde ritmo em 2026 e setor aposta em crédito para reação
O mercado brasileiro de veículos pesados começou 2026 em desaceleração, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Depois de encerrar o ano passado em ritmo elevado, as vendas de caminhões e ônibus acumulam queda de 17% no primeiro quadrimestre, em um cenário marcado por juros altos, menor demanda do transporte e retração das exportações para a Argentina.
Os números divulgados pela associação mostram que foram emplacados 37,2 mil veículos pesados entre janeiro e abril, abaixo das 44,8 mil unidades registradas no mesmo período de 2025. A redução atingiu caminhões, ônibus e parte da produção industrial do segmento.
Para a entidade, o principal instrumento para evitar uma retração mais profunda em 2026 será a ampliação das linhas de financiamento do programa Move Brasil 2, voltado à renovação de frota. “O programa cria condições mais favoráveis para retomada das compras”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (8).
Segundo ele, a nova fase do programa ampliou o acesso ao crédito para ônibus e implementos rodoviários, elevando os recursos disponíveis para R$ 21,2 bilhões. O modelo também prevê financiamentos de até 120 meses e limite de R$ 50 milhões por empresa.
A avaliação da associação é que a política pode ajudar o mercado a retornar aos volumes observados em 2025, principalmente entre transportadores autônomos e pequenas empresas de logística.
Caminhões concentram maior retração
O recuo mais forte ocorreu no segmento de caminhões, que segue pressionado pela redução da atividade econômica e pelo custo do crédito.
Em abril, foram vendidos 8,8 mil caminhões, queda de 5,8% frente às 9,3 mil unidades registradas no mesmo mês do ano passado. No acumulado do quadrimestre, os emplacamentos caíram de 37,1 mil para 30,7 mil veículos, retração de 17,2%.
A produção acompanhou o movimento. As montadoras fabricaram 35,4 mil caminhões nos quatro primeiros meses de 2026, abaixo das 42,8 mil unidades do mesmo período do ano anterior.
Os ônibus também registraram retração nas vendas. O segmento passou de 7,7 mil para 6,5 mil emplacamentos no quadrimestre, queda de 16%.
Apesar disso, a fabricação de ônibus apresentou avanço. Foram produzidas 10,6 mil unidades nos quatro primeiros meses do ano, cerca de 600 veículos acima do registrado em 2025. Em abril, a alta foi de 5,9%, com produção de 3 mil unidades.
Exportações também perdem força
O desempenho externo também perdeu intensidade em 2026. As exportações de veículos pesados recuaram de 10,1 mil para 8,3 mil unidades no quadrimestre.
Segundo Calvet, a desaceleração está ligada principalmente à menor demanda da Argentina, mercado tradicional para fabricantes instalados no Brasil.
A entidade também aponta aumento da competitividade local no país vizinho, o que reduziu espaço para exportações brasileiras.
Mesmo com a retração acumulada, a Anfavea avalia que o mercado apresentou alguma recuperação ao longo dos primeiros meses do ano. Em janeiro, a queda nas vendas de pesados chegou a 31,5%. No fechamento do quadrimestre, o recuo havia diminuído para 17,2%.
A leitura do setor é que a ampliação do crédito e uma eventual redução dos juros podem definir o comportamento do mercado no segundo semestre.


