Treinamento 100% presencial da NR-35 pode elevar custos e criar desafios operacionais para empresas
A recente atualização da Norma Regulamentadora nº 35 (NR-35), que trata do trabalho em altura, tem gerado preocupação entre empresas de diversos segmentos produtivos. A partir da publicação da Portaria MTE nº 1.259/2026, os treinamentos da norma passam a exigir realização integralmente presencial, eliminando a possibilidade de aplicação do conteúdo teórico na modalidade a distância.
Segundo estimativa da Escudo, empresa especializada em gestão de treinamentos em Saúde e Segurança do Trabalho (SST), a mudança pode gerar um custo adicional de até R$ 750 milhões por ano para o setor produtivo, especialmente em atividades que dependem de equipes operacionais distribuídas em diferentes regiões do país.
Mudança afeta planejamento e produtividade
A NR-35 estabelece carga horária mínima de oito horas para a capacitação dos trabalhadores que executam atividades em altura. Até então, muitas empresas adotavam o modelo híbrido, combinando conteúdo teórico on-line com treinamento prático presencial.
Com a nova exigência, os profissionais precisarão cumprir toda a carga horária presencialmente, o que demanda maior organização logística, deslocamentos e afastamento temporário das atividades operacionais.
Para empresas ligadas à construção civil, infraestrutura, manutenção industrial, locação de equipamentos e serviços especializados, a medida pode impactar diretamente o planejamento das operações, especialmente em períodos de maior demanda.
Desafios em regiões remotas
O novo modelo também traz desafios para operações localizadas em áreas distantes dos grandes centros urbanos. Nessas situações, a realização dos treinamentos presenciais pode exigir deslocamentos mais longos, maior disponibilidade de instrutores e adequação de agendas, aumentando a complexidade do processo de capacitação.
Além dos custos relacionados ao treinamento em si, as empresas precisam considerar despesas com transporte, infraestrutura, hospedagem, alimentação e horas de trabalho não produtivas durante o período de capacitação.
Segurança continua sendo prioridade
Apesar das discussões sobre o formato do treinamento, especialistas do setor reforçam que a capacitação dos trabalhadores continua sendo um dos pilares fundamentais para a prevenção de acidentes.
O consenso entre profissionais de SST é que a etapa prática presencial é indispensável para garantir a correta utilização dos equipamentos de proteção, a execução segura das atividades e a familiarização com os procedimentos operacionais.
Por outro lado, representantes do setor defendem que a discussão também deve considerar critérios relacionados à qualidade do aprendizado, à qualificação dos instrutores e à efetiva assimilação dos conteúdos pelos trabalhadores, independentemente da modalidade utilizada.
Impactos para os setores de infraestrutura e construção
A mudança tem potencial para afetar diretamente segmentos que dependem de mão de obra qualificada para atividades em altura, como construção pesada, manutenção de equipamentos, obras de infraestrutura, mineração, energia e logística.
Para empresas da cadeia da linha amarela, o tema merece atenção especial, uma vez que a disponibilidade de profissionais habilitados influencia diretamente a produtividade dos canteiros de obras, a manutenção de máquinas e a execução de contratos.
Período de adaptação exige planejamento
As organizações que utilizavam o modelo híbrido deverão revisar seus programas de treinamento e adequar seus cronogramas às novas exigências da legislação.
Nesse cenário, especialistas recomendam que as empresas antecipem o planejamento das capacitações, avaliem a disponibilidade de instrutores e estabeleçam cronogramas que minimizem impactos sobre as operações.
A atualização da NR-35 reforça a importância da segurança no trabalho, mas também traz novos desafios para a gestão de pessoas e para a organização das atividades produtivas, exigindo das empresas maior atenção ao equilíbrio entre conformidade legal, eficiência operacional e formação de profissionais cada vez mais preparados para atuar com segurança.


