Fabricantes de equipamentos de concreto apresentam diferentes estratégias para crescer em 2026
A Concrete Show 2026, realizada entre os dias 25 e 27 de agosto no São Paulo Expo, mostrou que o mercado de equipamentos de concreto está aquecido, com empresas apresentando lançamentos e estratégias para atender diferentes perfis de obras. Enquanto a Zoomlion lançou no mercado brasileiro o seu primeiro caminhão betoneira de 10 m³, a Putzmeister apareceu com uma bomba lança de concreto de 48 metros recém-lançada. Já a Schwing Stetter deu destaque para sua linha de autobombas XS, com maior custo-benefício.
A Zoomlion quer ampliar seu mercado no Brasil. A companhia, que voltou ao mercado brasileiro de caminhões-betoneira há cerca de dois anos com modelos de 8 m³, agora traz uma versão maior para entregar mais produtividade. Paulo Toniate, gerente regional da Zoomlion, diz que a parte interna do equipamento, principalmente as facas de trabalho, contam com mais capacidade para bater e carregar o concreto para fora, a fim de acelerar o trabalho de concreteiras.
A companhia ainda lançou a autobomba K110, com capacidade de 4 mil m³. Toniate diz que o modelo atende obras de maior porte em centros urbanos, como prédios de até 30 andares. Para isso, ele conta com um mangote, estrutura que permite mais flexibilidade que as lanças tradicionais e a torna um equipamento ideal para bombear concreto a distâncias que contam com desvios.
Putzmeister aposta no alcance
A Putzmeister marcou presença novamente com suas bomba-lanças de 68 metros expostas no pavilhão externo da Concrete Show, mas a novidade mesmo ficou por conta de modelos menores, como a recém-lançada de 48 metros. Rodrigo Satiro, gerente nacional de vendas da Putzmeister Brasil, destaca a área de patolamento do equipamento, que está muito próxima da bomba-lança de 42 metros que já é comum no portfólio da empresa.
“(O modelo de 48 metros) é uma máquina versátil e que abre na mesma disposição de pé direito, sendo um equipamento bem compacto, mas ao mesmo tempo de longo alcance, visando atender os equipamentos maiores no mercado”, explica o executivo.
Schwing Stetter não arrisca e traz sua linha custo-benefício
O destaque no estande da Schwing Stetter ficou por conta da sua linha de autobombas XS, equipamentos voltados para competir com o preço de marcas asiáticas. Renato Torres, CEO da Schwing Stetter no Brasil, diz que a companhia trouxe dois modelos, a autobomba de 33 metros e a de 37 metros, que atendem o que o mercado brasileiro mais tem interesse, segundo ele.
A empresa também trouxe sua família de autobombas de maior valor agregado, a linha S que usa o sistema de válvula ROCK, mas o executivo destaca que são os modelos custo-benefício que tem atraído o mercado brasileiro. “Eu imaginava que nós manteríamos uma divisão de 50/50 em nosso portfólio, mas a XS hoje já suplantou em pelo menos 20% as vendas da linha S. Então, para nós, está sendo uma grata surpresa.”
Mercado de habitação puxa o otimismo do setor
Os equipamentos apresentados buscam atender uma demanda que vem principalmente do setor habitacional, puxado pelo Minha Casa, Minha Vida. Números do Ministério da Casa Civil apresentados durante palestra no evento apontam que mais de 2,5 milhões de unidades habitacionais foram contratadas desde 2023, sendo que 2,1 milhões já foram entregues.
Toniate, da Zoomlion, destaca que o segmento do MCMV para média renda vem crescendo muito e puxou a procura por quase todo o portfólio de concreto da marca, incluindo autobombas, bombas estacionárias e caminhões-betoneira. “Obras públicas de mobilidade, como pontes e reformas de rodovia, também tiveram uma demanda grande entre os clientes”, destaca.
O executivo da Putzmeister também citou o Minha Casa, Minha Vida como um motor para as vendas de equipamentos de concreto, junto com o programa Move Brasil 2, que incentivou a renovação de frotas de caminhões, refletindo na venda de caminhões-betoneira. Satiro afirma que a meta de crescimento de 20% no volume de vendas da marca deve ser batida nos próximos dois meses.
Já Torres, da Schwing Stetter, esperava uma maior participação dos investimentos federais em grandes obras, mas reconhece que o setor residencial e as rodovias não permitem que ele reclame do cenário. “Eu acredito que nós vamos chegar até dezembro com a nossa meta batida”, afirma.
Como pontua Wanderley Cursino Correia, presidente da APELMAT, as soluções construtivas em concreto estão intimamente ligadas à mecanização dos canteiros de obra por meio das máquinas e equipamentos que os associados da APELMAT fornecem ao mercado há mais de quatro décadas. “Estamos muito orgulhosos de participar mais uma vez da Concrete Show South America, evento que representa a cadeia de concreto e tecnologias para concretagem do Brasil.”


