Setor de agregados amplia demanda por equipamentos
Areia e pedra britada estão presentes em praticamente todas as obras de infraestrutura. Rodovias, ferrovias, sistemas de saneamento, empreendimentos imobiliários e projetos de mobilidade urbana dependem desses insumos, tornando a produção de agregados minerais um dos principais indicadores da atividade da construção pesada.
Em São Paulo, maior mercado consumidor de pedra britada do país, o setor mantém ritmo consistente, impulsionado pelos investimentos públicos e privados em infraestrutura. Levantamento do Sindipedra mostra que o segmento movimentou R$ 809,37 milhões no primeiro trimestre de 2026.
Embora o faturamento tenha recuado 14,8% em relação ao trimestre anterior, reflexo da acomodação dos preços médios dos produtos comercializados, o volume vendido cresceu 9% na comparação com o mesmo período de 2025 na Região Metropolitana de São Paulo, sinalizando a continuidade da demanda.
Obras públicas sustentam o consumo
A Região Metropolitana de São Paulo concentra aproximadamente 65% do faturamento estadual do setor e quase metade do volume comercializado. Na sequência aparece a Região Metropolitana de Campinas, que vem consolidando sua posição como importante polo de produção e distribuição de agregados para obras de infraestrutura e construção civil.
O desempenho acompanha o avanço dos investimentos públicos no Estado. Entre os principais programas está o São Paulo pra Toda Obra, que reúne centenas de intervenções em rodovias estaduais, estradas vicinais e corredores logísticos. Somente os investimentos previstos pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) somam cerca de R$ 14,5 bilhões.
Na capital paulista, o programa de recapeamento também contribui para manter a demanda elevada. Mais de 20 milhões de metros quadrados de vias já passaram por recuperação, em mais de 1.700 trechos distribuídos por diferentes regiões da cidade.
Segundo Daniel Debiazzi, presidente do Sindipedras, o consumo de agregados segue sustentado pela continuidade dos investimentos em infraestrutura.
“Mesmo diante das oscilações de preços observadas no mercado, a demanda por agregados permanece sustentada pelos investimentos em infraestrutura e pela continuidade das obras em andamento. Os números mostram que o consumo segue consistente e acompanha as necessidades do desenvolvimento urbano e logístico do Estado”, afirma.
Produtividade passa a orientar investimentos
Ao mesmo tempo em que o mercado permanece aquecido, as empresas enfrentam custos operacionais mais elevados, especialmente com combustíveis, energia e insumos utilizados na atividade mineral. O cenário econômico e as incertezas internacionais também pressionam as margens do setor.
Nesse contexto, produtividade e eficiência operacional tornaram-se prioridades. Equipamentos de britagem, peneiramento, escavação, carregamento e movimentação de materiais, além de soluções de automação, monitoramento e gestão operacional, ganham espaço nas estratégias de investimento das empresas.
A busca por maior eficiência também acompanha a agenda de sustentabilidade, com foco na redução de desperdícios, melhor aproveitamento dos recursos e aumento da competitividade.
O movimento segue uma tendência nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), a mineração brasileira deverá receber US$ 76,9 bilhões em investimentos até 2030, destinados à expansão da produção, modernização das operações e projetos de sustentabilidade.
BES 2026 destaca tecnologia para mineração e infraestrutura
O avanço da mecanização e da transformação tecnológica do setor será um dos destaques da Brazil Equipo Show (BES) 2026, que acontece entre os dias 4 e 7 de agosto, na Red Eventos, em Jaguariúna (SP).
A feira reunirá fabricantes de equipamentos, distribuidores, locadoras, mineradoras, construtoras e fornecedores de tecnologia voltados aos segmentos de mineração, infraestrutura, construção pesada e agronegócio.
Para Guilherme Ramos, diretor da STO Feiras e Eventos, os desafios enfrentados pelas empresas tornam cada vez mais importante a integração entre fabricantes, fornecedores e usuários de equipamentos.
“Hoje, os desafios relacionados à produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade são comuns a diversos setores. A BES foi concebida justamente para aproximar fabricantes, fornecedores, usuários e especialistas, criando um ambiente de negócios e troca de conhecimento capaz de gerar oportunidades concretas para toda a cadeia”, destaca.
Além da exposição de máquinas e tecnologias, a programação inclui demonstrações operacionais, campeonato de operadores de máquinas, visitas guiadas, Prêmio BES, cursos de capacitação e outras atividades voltadas ao desenvolvimento técnico e profissional.
Realizada em uma das principais regiões industriais do Estado de São Paulo, a feira reflete um mercado que segue impulsionado pelos investimentos em infraestrutura, mas que também busca soluções para aumentar a produtividade e enfrentar os desafios de competitividade do setor.


