Setor de máquinas mostra desempenho acima da média


Ao contrário do que muitas pessoas imaginavam, a pandemia de coronavirus não provocou graves estragos no setor de locação, tampouco no mercado de equipamentos. De acordo com a Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), as vendas da Linha Amarela deram um salto de 35% de janeiro a maio, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram comercializados 8 mil equipamentos, entre escavadeiras, carregadeiras, retroescavadeiras, compressores, gruas, guindastes e plataformas aéreas.

Com a indústria respirando aliviada, a expectativa para 2020 é que as vendas cheguem a 20 mil unidades, o que representa um aumento de aproximadamente 15% em relação a 2019. De acordo com a associação, esse bom resultado está sendo obtido com as vendas para o agronegócio, construção e licitações públicas.

Na linha de frente no uso das máquinas, as empresas de locação e terraplenagem também estão entre as menos impactadas pela pandemia. Entre experiências positivas e outras nem tanto, os empresários associados à APELMAT observaram uma oscilação quinzenal ou mensal na quantidade de trabalhos. Mas, no cômputo geral o cenário está favorável para quem trabalha com equipamentos, já que a construção civil é considerada uma das atividades prioritárias e não foi paralisada.

Com a abertura do comércio, o cenário tende a melhorar. “O coronavírus não afetou com intensidade nossa atividade, tivemos resultados satisfatórios durante o primeiro semestre deste ano”, conta Paulo da Cruz Alcaide, diretor da Seixo.

Ricardo Topal, diretor da Lomaq, concorda. “O mercado tem reagido bem, atravessamos esse período de quarentema com vários equipamentos alugados”, diz. A dificuldade, sobretudo, tem sido o custo dos equipamentos, porque no início do ano era esperada uma demanda elevada de trabalho que não se concretizou, e devido a alta do dólar o preço não correspondeu a algumas dificuldades geradas pela pandemia.

A Bolater está trabalhando com 70% da frota. “Alguns contratos de escavação foram paralisados, mas a empresa segue apostando numa boa retomada das obras de infraestrutura”, destaca Emerson Dias Correia, o Bola, diretor da empresa. Na mesma linha caminha Edmilson Antonio Daniel, diretor da Escad, que embora na região de São Paulo tenha participado de contratos de curto prazo, em outros estados está trabalhando bem. “Temos recebido propostas interessantes e percebemos que o impacto do coronavirus está mais ameno que a escassez causada pela Operação Lava Jato”, compara.

Demora no início das obras

Alguns empresários observam que muitas obras que deveriam ter iniciado logo após o carnaval, ainda não aconteceram ou começarão agora no segundo semestre. Então aproveitaram essa “entressafra” para cuidar da manutenção dos equipamentos, como é o caso de José Abrahão Neto, diretor da Transtér. “Atravessamos a maior parte desse período com 20% da frota trabalhando, sem fazer novas cotações no mercado”, informa.

Esse percentual de até 30% de máquinas em atividade também é averiguado em outras empresas associadas à APELMAT, como a G. Dias e a Loctrator. “Ficamos com 20% trabalhando, mas a perspectiva é de uma retomada gradual”, diz José Sorrentino Dias, diretor da G. Dias. Maurício Briard, da Loctrator complementa: “Antes da pandemia, a empresa estava rodando com três turnos de 24 horas, agora estamos somente com um turno das 8h às 17h”. De acordo com ele, entre os meses de outubro de 2019 a fevereiro de 2020 o mercado estava bem aquecido, e a partir de março deu uma arrefecida.

Na análise de José Antonio Spinassé, diretor da Luna Locações e Transportes, o mercado de locação e de transporte de máquinas atravessou um período volátil, com uma semana aquecida e outra arrefecida em termos de trabalho. “Passamos por uma situação atípica, onde tivemos que nos descolar da dependência do governo. O mais importante é que, dentro da APELMAT, todos sobrevivemos e buscamos oportunidades de crescimento. Mas precisamos ter consciência e não sucumbir ao medo, porque o vírus é real, o medo opcional”, reage.

Flávio Figueiredo Filho, diretor da Utilrent e presidente da APELMAT, percebe que os prefeitos estavam receosos, porque os repasses estaduais e federais vinham caindo de maneira assustadora e isso realmente comprometeria a capacidade dos gestores honrarem os custos com fornecedores e prestadores de serviço. “Finalmente, a atividade econômica está retomando em sintonia com as determinações de higiene e distanciamento estipuladas pela OMS para preservação da vida”, diz. Contudo, muitos contratos foram suspensos e equipamentos devolvidos.

Vendas de equipamentos

Passado o abalo inicial pandemia, o resultado para fabricantes e dealers começou a aparecer e a provocar reações mais animadoras. No mês de maio, período em que o mercado ainda estava se pronunciando com muita cautela sobre os números, a Sotreq vendeu de cara 600 máquinas numa live realizada em conjunto com a Caterpillar.

Anselmo Gomes, gerente de vendas de máquinas novas e usadas da Sotreq para São Paulo, confirma que os negócios da empresa não foram impactados pelos reflexos do Covid-19, como inicialmente se esperava. “A locação para o setor sucroalcooleiro está tão forte, que nossa frota de aluguel ficou totalmente empregada”, comemora. O primeiro semestre foi bom para a empresa, período propício para, assim como em outras organizações, potencializar as plataformas digitais como ferramenta de vendas, cursos e relacionamento.

“Quando essa pandemia terminar, todos teremos uma experiência de antes e depois do coronavírus, avalia Marcelo Camargo, da Epiroc, gerente de negócios da divisão HAT da Epiroc. De acordo com ele, o mercado de mineração também tem propiciado resultados animadores, porque as atividades não foram interrompidas. “O coronavirus não gerou forte impacto nas vendas, mas percebemos uma redução devido a alta do dólar. Esse tem sido um grande desafio que as empresas terão de se reinventar para vencer”, argumenta.

Em relação a esse tema, Edison Yamamoto, gerente comercial da Yanmar para a América do Sul, explica que o dólar foi um fator encarecedor principalmente nos primeiros meses de pandemia. “Nos outros países, houve redução de 50% a 60% no trabalho, mas a economia foi retomada logo após a liberação da quarentena, nos mesmos patamares que estavam antes da pandemia”, observa.

Para Maurício Amendoeira, consultor comercial da Tracbel, a empresa teve uma ligeira queda nos meses de abril e maio, mas não tão ruim quanto previsto inicialmente. “A expectativa é de uma rápida retomada. Os clientes estão fazendo cotações e só não avançaram antes porque aguardavam o final da pandemia”, informa Maurício.

Na avaliação de Fábio Carmona, da Veneza Equipamentos, o mercado poderá deixar de registrar índices de crescimento que teria se não fosse o coronavírus. A fabricação ficou um período com volume reduzido. “No mês de abril, houve redução de 30% na fabricação de máquinas, segundo a Abimaq apurou com a indústria. Contudo, atravessamos essa fase com bastante trabalho, fazendo entregas. A construção civil está rodando, mas ainda um pouco prejudicada por algumas medidas”, arremata.

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