Apelmat

Associação Paulista dos Empreiteiros e Locadores de Máquinas de Terraplenagem, Ar Comprimido, Hidráulico e Equipamentos de Construção Civil.

Endereço: Rua Martinho de Campos, 410 - Vila Anastácio - São Paulo - SP - 05093-050

Telefone: (11) 3722-5022

Whatsapp: (11) 9-3339-8386

Redes Sociais

Assine nossa newsletter

Copyright 2020 | Apelmat

Mercado de locação reage e volta a crescer

Atualizado: Fev 6



A certeza da retomada de mercado de locação de equipamentos deixou de ser uma mera aposta, para se tornar realidade. O setor teve um crescimento de 10% em 2018, quando o país apontara para um novo direcionamento político-econômico, e em 2019 é previsto um novo salto estimado entre 15% a 20%, de forma sustentada e progressiva. Apesar do Brasil ainda não ter, de fato, efetivado obras de infraestrutura decisivas para impulsionar o setor em larga escala, atualmente há oportunidades que têm atraído investidores em diferentes áreas para concessões e privatizações.


Os dados foram levantados pelo diretor da Escad Rental, Eurimilson Daniel, que além de associado à Apelmat/ Selemat, também faz parte da diretoria da Analoc e Sobratema. As informações condizem com a avaliação dos fabricantes e revendedores de equipamentos consultados pela reportagem. Num contexto mais amplo, a expectativa é que a demanda por uso de máquinas seja crescente.


Hoje o mercado brasileiro possui cerca de 15 mil locadoras de equipamentos das linhas leves, manuais e compactas, gruas, plataformas, guindastes e da linha amarela. A capacidade de faturamento de todos esses segmentos é estimada em R$ 12 bilhões ao ano, considerada a capacidade instalada. Da linha amarela, especificamente, estima-se que existam em torno de 2700 locadoras no país.


“O setor de locação é de capital intensivo, ou seja, as locadoras precisam investir em equipamentos alinhados com o momento da tecnologia, da economia, da expectativa do mercado e do cliente, para crescer de maneira competitiva”, conjectura Daniel. Nesse sentido, as empresas que não contarem com um portfólio de máquinas atualizadas, dificilmente conseguirão melhorar o faturamento.


Setores aquecidos

A Construção civil melhorou, apresentando crescimento lento e gradual, com maior entrada de projetos nas prefeituras, lançamentos imobiliários e retomada de obras. O primeiro setor a sentir esses reflexos é o de ferramentas e equipamentos leves, que já está aquecido, embora ainda não tenha atingido os índices de desempenho do período pré-crise.


Na sequência, estão alguns serviços que envolvem a linha amarela, englobando equipamentos de menor porte, além de execução de terraplenagem e pequenas empreitadas, onde os locadores estão envolvidos. São trabalhos de limpeza, locações por períodos de curto prazo, serviços de elétrica e hidráulica que envolvem movimentação de terra, entre outros.


Na agricultura ainda não havia demanda expressiva de locação de máquinas da linha amarela, mas de acordo com Daniel, já é possível identificar uma mudança de cultura nesse mercado em relação ao aluguel. “Muitas usinas estão optando por locar ao invés de investir na compra de maquinário e isso gerou um desempenho positivo para a locação na agricultura”, diz.


Na mineração, as catástrofes ocorridas nas cidades de Mariana e Brumadinho, no estado de Minas Gerais, geraram necessidade da atuação de máquinas de linha amarela, o que elevou a procura por equipamentos desse segmento. Além disso, a Petrobrás está retomando alguns projetos na área de óleo e gás, e isso tem demandado máquinas.


“Percebemos que 2019 foi o ano da virada. Em 2018, o setor de locação parou de cair e começou a retomar de maneira lenta e gradual, mas quando comparamos o segundo semestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano anterior, constatamos um nítido crescimento”, avalia Daniel. De acordo com ele, há um viés de estabilidade do crescimento alcançado, os empresários da locação estão se mostrando dispostos a não deixar a política contaminar seus negócios. Por isso, ele identifica que os setores onde a locação está reaquecida são nitidamente independentes da política, e com isso o mercado cresce organicamente, mesmo sem grandes investimentos de infraestrutura.


Otimismo

Antonio Augusto Ratão, diretor da MRT – Manuel Ratão Tratores, mostra-se otimista com o desempenho mercado. Ele diz que com as atuais oportunidades, os locadores não podem culpar ninguém por falta de trabalho, muito menos ficar de braços cruzados a espera de que algo surpreendente aconteça na infraestrutura.


“O governo já anunciou que os recursos estão escassos e não vai fazer milagre econômico para investir em grandes obras de infraestrutura”, argumenta Toninho. “Nesse sentido, a solução para os locadores tem sido se fortalecer na iniciativa privada, nos setores da agricultura, mineração, industrial e farmacêutico. Os resultados têm sido satisfatórios”.


Para exemplificar, ele cita algumas obras paralisadas ou com baixa demanda para locação e avalia que no momento as locadoras não devem tentar sobreviver de construção de infraestrutura. “As obras de Rodoanel, em São Paulo, foram interrompidas, talvez sejam retomadas em 2020 por causa das eleições. A duplicação da Rodovia dos Tamoios está aplicando muita tecnologia de engenharia e grande parte de equipamentos usados são próprios”, observa.


A MRT hoje trabalha em área de mineração e subloca equipamentos para pequenas locadoras, mas o foco da empresa tem sido obras no interior paulista e outros estados. De acordo com Toninho, as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste estão bem aceleradas devido ao agronegócio. “O Brasil está com as exportações elevadas nessa área e há muitas fazendas que cultivam soja, café e milho. Além disso, há mineração de ferro e alumínio com alto peso na balança comercial”, explica.


Os equipamentos com mais utilização são tratores de esteiras na faixa de 10 a 20 toneladas, rolos compactadores e motoniveladoras. “Atualmente, locamos máquinas que não estão muito disponíveis no portfólio da maioria das locadoras, ou seja, a linha médio-grande com baixa concorrência”, diz Toninho, que optou por trabalhar em locais fora de São Paulo devido às dificuldades e restrições cada vez maiores impostas na cidade.


Confiança internacional

Paulo da Cruz Alcaide, diretor da Seixo Terraplanagem e Construções, mantém proximidade com clientes de Israel e dos Estados Unidos que já fizeram vários investimentos no Brasil, na área de construção civil, galpões, prédios residenciais e comerciais. De acordo com Paulo, esses empresários estão confiantes, dando continuidade em dois novos projetos de prédios residenciais, em área mista com empreendimentos comerciais e logísticos, com o objetivo de disponibilizar moradias próximas ao local de trabalho dos colaboradores.


“Hoje, os empresários estão fazendo várias cotações para obras factíveis, não apenas por mera especulação”, avalia Paulo. “Antes as cotações não se tornavam empreendimento, mas agora os investidores estão confiantes e realizando os projetos”.


Segundo ele, quem está fora do Brasil possui uma visão mais otimista, os empresários internacionais sempre dizem que o país tem mercados interessantes, especialmente os investidores que estão confiantes na política econômica do atual governo. “Com base nesse cenário, percebemos que o mercado vai melhorar em relação a obras de infraestrutura”, detecta.


Nos últimos quatro anos, a Seixo reduziu a quantidade de equipamentos da frota para deixar a estrutura condizente com a baixa demanda provocada pela crise. Mas atualmente está com 80% da frota trabalhando, especialmente com máquinas acima de 20 toneladas na área de movimentação de terra. “Para os próximos anos, as obras federais, estaduais e municipais vão movimentar bem o setor de locação e isso impulsiona a economia”, prevê Paulo.


Ele também constatou que o mercado de locação está mais aquecido no segundo semestre de 2019, em relação ao mesmo período do ano anterior. “Hoje está difícil encontrar equipamento parado, às vezes é necessário buscar máquinas com outros locadores para completar o quadro, mas há pouca disponibilidade”, diz.


Retomada nas vendas

Com o mercado atraente, as vendas de equipamentos também apresentam melhora gradativa, em relação aos resultados que vinham sendo apresentados desde 2015. A previsão de vendas para 2019 é que sejam comercializadas um volume estimado em 14.500 máquinas, aumento considerável em relação as 11 mil unidades vendidas em 2018, ou mesmo sobre as 7 mil unidades dos anos de 2016 e 2017.


“A indústria dobrou de tamanho”, analisa Assis Tavares, gerente de vendas da Veneza Equipamentos, reforçando que o cenário está atraente para a comercialização de equipamentos da marca John Deere, como motoniveladoras, escavadeiras, tratores de esteiras, pás-carregadeiras e retroescavadeiras. “O mercado está caminhando independente da conjectura política. Para 2020, a previsão é que as vendas de todos os fabricantes do mercado de equipamentos da linha amarela cheguem a 16 mil unidades”, diz.


Assis observa que a confiança no mercado já vem de alguns anos e os empresários brasileiros possuem boa capacidade de se reinventar. “O setor de locação tem comprado mais equipamentos, assim como as empresas de construção. Os clientes estão confiantes nessa nova agenda da equipe econômica do atual governo e, diante de novas oportunidades, começaram a renovar a frota”, conta. O agronegócio também tem impulsionado as vendas da linha amarela. De acordo com ele, as vendas de equipamentos de todas as marcas cresceram 48% nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.


Ricardo Fonseca, diretor de construção da Sotreq, também estima um bom cenário para o ano de 2020. “Nossas vendas estão crescendo acima de 30% em relação a 2018”, conta Fonseca, ressaltando que os setores de mineração, locação, construção leve e agrícola são os setores que mais têm demandado equipamentos da linha amarela.


“O crescimento está acontecendo em todo o Brasil. Estamos otimistas com a perspectiva de crescimento em 2020, aproximadamente 15%, com continuidade para os próximos anos”, avalia Ricardo, em relação aos projetos em andamento e também com o início de obras de infraestrutura.


O CEO do Grupo Tracbel, Luiz Gustavo R. de Magalhães Pereira, acrescenta que as vendas nos segmentos em que a empresa atua estão, em média, 30% acima do que foi registrado no mesmo período do ano anterior. “Os setores que mais têm demandado por equipamentos de linha amarela são mineração e construção de imóveis, que já mostram melhoras significativas. Mas a procura por locação de máquinas tem aumentado sensivelmente”, informa.

De acordo com ele, as regiões que mais estão demandando por máquinas são o estado de São Paulo, seguido pelas regiões agrícolas e o estado de Minas Gerais. Para 2020, estimamos um crescimento em torno de 10% acima do que está sendo vivenciado este ano”, antecipa.


Novo perfil de mercado

A Quarta Revolução Industrial tem provocado mudanças significativas em todas as áreas de atuação, com uma nova realidade tecnológica e de comportamento que alterou o modo de vida das pessoas. Hoje o compartilhamento de produtos é cada vez mais valorizado, em relação à posse. De todos os setores da economia que estão com dificuldade de se adaptar a essa realidade, o de locação é o que mais passa incólume em relação aos impactos negativos de adaptação.


“Nesse cenário, a locação está num viés positivo, vista como uma opção saudável, flexível, com risco zero de investimento, onde se obtém aproveitamento total da produtividade e se evita qualquer tipo de imprevisibilidade”, averigua Eurimilson Daniel, da Escad.


Hoje as taxas de juros já são negociadas abaixo de 1%, que podem ser embutidas no custo, portanto não se trata de atratividade exclusiva de um momento político efêmero, mas fruto da realidade de um mercado maduro. Ainda assim, a locação é uma tendência cada vez mais acentuada no atual momento. As pessoas querem usar, não ter.


Daniel observa uma mudança no perfil dos clientes. “Novas construtoras estão surgindo, empresas de porte menor, porém com uma eficácia no compliance, na ética e na responsabilidade. Já é possível enxergar uma nova fase das construtoras na relação com o mercado e com o público. Essas empresas chegam com uma cultura de valorizar o conhecimento de engenharia que trazem na bagagem, e não querem saber de mexer com máquinas. Essa parte preferem terceirizar, através de locação ou sub empreitada”, arremata.

Em Destaque