Combate a roubo de equipamentos requer medidas eficientes




No dia 18 de novembro, a Analoc (Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Máquinas, Equipamentos e Ferramentas), acompanhada de representantes de entidades como Apelmat, Sobratema, Abrasfe e Alec, reuniu-se com o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, João Camilo Pires de Campos, e com o deputado estadual Itamar Borges. O tema do encontro foi a ocorrência de roubo de máquinas, que vem crescendo, gerando insegurança e prejuízo para toda a cadeia do segmento.


As associações foram solicitar apoio das polícias civil, militar e rodoviária, que estão com dificuldade de operacionalizar investigações, além de fiscalização nas fronteiras e municípios, departamento especializado nesse assunto para multiplicar ações e fiscalizações adequadas, além de melhoria na fiscalização de carga legalizada, já que boa parte segue rotas rodoviárias com documentos frios.


Além disso, o grupo comunicou a necessidade de melhor comunicação entre as polícias e estados, uma vez que os efeitos dos sistemas eletrônicos têm pouca eficácia diante de tecnologias capazes de anular os sinais de rastreamento criados pela indústria. Na reunião, também foi colocado que as campanhas de conscientização por parte das entidades, para avaliar procedência do bem e as empresas, as pinturas personalizadas, identificação visual e rastreamento não estão surtindo efeito suficiente para inibir esse tipo de crime.


O roubo de equipamentos tem deixado locadores e empreiteiros cada vez mais preocupados. Antes, esses sinistros aconteciam de forma esporádica, mas na última década passaram a ser realizados por quadrilhas especializadas que se organizam para furtar equipamentos sem qualquer sacrifício, seja através de golpes, ou roubos qualificados. Os criminosos chegam a qualquer hora com carretas, carros e armas no local onde os equipamentos estão estacionados, imobilizam as pessoas, embarcam as máquinas e fogem.


Fuga fácil

Normalmente esses grupos conseguem atravessar vários estados brasileiros sem ser parados pela polícia. “Há falhas por parte fiscalização no país, que tem sido incapaz de interferir com eficiência para evitar esse tipo de crime”, desabafa Eurimilson Daniel, diretor da Escad Rental.

De acordo com ele, no passado havia fiscalização interestadual que obrigava a apresentação de nota fiscal e documentação para o equipamento transitar entre estados. Hoje as barreiras nos estados não funcionam mais, o país está desestruturado para fazer esse trabalho, o único procedimento tomado é a fiscalização de peso.


“Estamos questionando essa situação, queremos que a vigilância fique mais eficiente com a conferência de nota fiscal e CNPJ das empresas que fazem esse trabalho”, reivindica Daniel. Sem essa fiscalização, as quadrilhas ficam livres para cruzar o país.


Hoje, as empresas que trabalham com máquinas vivem um risco elevado e crescente, porque são produtos fáceis de serem vendidos sem qualquer tipo de controle. Nas fronteiras de garimpo, por exemplo, uma máquina avaliada em R$ 400,00 é facilmente vendida por R$ 200,00. Os dispositivos eletrônicos e digitais criados pela indústria ainda são ineficientes para evitar roubos, as quadrilhas conhecem esses recursos e sabem desativá-los, cortando o sinal de rastreamento da máquina.


Restrições em seguros

Essa realidade faz as seguradoras aumentarem as cláusulas de exigências contratuais para o seguro de equipamentos. Hoje elas não se responsabilizam por máquinas que ficam em vias públicas, por exemplo. De acordo com Flávio Torres, da Torres Administradora de Seguros, é necessário ter um banco de dados com informações sobre equipamentos furtados ou roubados. “Enquanto houver pessoas que comprem equipamentos roubados, o fluxo desse tipo de sinistro continuará alto”, diz ele.


“Esses crimes reduzem a possibilidade de novas companhias de seguro entrarem no mercado, além de forçarem as seguradoras que já atendem ao setor a restringirem as coberturas”, avalia Torres. Antes havia mais seguradoras interessadas em oferecer serviços e poucas empresas de equipamentos querendo fazer contratos. Mas com o passar dos anos, a incidência de sinistros aumentou tanto, que o cenário se inverteu e o mercado de máquinas passou a não ser atraente para as empresas de seguros.


“Isso acontece porque o mercado também precisa tomar providências para coibir esses crimes. Além de dispositivos mais eficazes de rastreamento, podem desenvolver outros mecanismos, como por exemplo, cadastrar a digital do operador para o equipamento só ligar com essa identificação”, sugere.


Outras opções para inibir delitos, de acordo com Torres, seria colocar o número de chassi gravado nos vidros das máquinas, de modo que chame a atenção nas tentativas de roubos relacionados ao mercado de peças roubadas. Há também a possibilidade de instalar sistemas de bloqueio de operações e mecanismos de movimento, e colocar localizadores em diferentes pontos de difícil acesso.


Rotas

Certa vez, Torres foi resolver um sinistro na cidade de Assis, próxima à divisa entre os estados de São Paulo e Paraná, região expressiva no agronegócio e com intenso fluxo de equipamentos. Nesse caso, as quadrilhas colocam máquinas roubadas no meio de outras e transitam sem qualquer problema. “Há casos em que os criminosos utilizam peças tiradas ilegalmente de outros equipamentos para substituir na estrutura da máquina roubada e transitam com ela tranquilamente, sem qualquer abordagem nas estradas”, conta.


Além de trocar peças para dificultar a identificação, alguns equipamentos são deixados em pequenas propriedades distantes de rodovias, de maneira a despistar as equipes de busca. “Isso não significa que a polícia seja inoperante, ela simplesmente não possui instrumentos suficientes para fazer uma fiscalização eficaz”, reconhece Torres.


Muitos pensam que as retroescavadeiras são os equipamentos que as seguradoras mais relutam em fazer apólice, por estarem entre as preferidas dos ladrões. Mas Flávio Torres percebeu que os rolos compactadores são menos aceitos. “Embora as retroescavadeiras tenham grande volume de vendas, estão expostas a uma quantidade de sinistros equivalente a essa respectiva capilaridade de mercado, o que a enquadra numa faixa de normalidade. Já os rolos compactadores não possuem elevado volume de vendas, mas a quantidade de sinistros é elevada, por isso sofrem restrições e possuem taxas mais altas de seguro”, explica.


Cuidados necessários

Quando uma empresa faz seguro de um equipamento, Flávio diz que muitas vezes o empresário não se cerca de todos os cuidados para dificultar a ocorrência de sinistros, apenas exige que a seguradora arque com as consequências do roubo. “Há casos onde temos dificuldade de receber informações essenciais sobre a cobertura, ou mesmo dados sobre os operadores”, diz.

Por isso, é importante manter parceria com o cliente para evitar a ocorrência de sinistros. O operador não é vilão nem o principal suspeito, mas é necessário possuir um banco de dados sobre a operação e o equipamento deve permanecer em local seguro quando estiver fora de expediente.


Um locador que tiver máquina trabalhando em obra de saneamento em vias urbanas, por exemplo, deve verificar um local onde possa guardá-lo fora do horário de expediente. O valor dessa garagem pode ser repassado para o custo da locação. Muitas empresas também isolam a área e contratam vigilantes, principalmente onde há vários equipamentos trabalhando.


Quando o cliente mitiga os riscos e dificulta possibilidades de sinistro, algumas seguradoras dão bônus na renovação, principalmente se a empresa não apresentar sinistros, de modo a valorizar e estimular essa atitude do cliente.


Nos Estados Unidos há seguradoras especializadas no segmento de locação, que conhecem o mercado e a dinâmica do setor, com pessoas fiscalizando e acompanhando a atividade. Cada apólice emitida tem cadastrada a procedência do cliente, se é empreiteira tradicional e, quando surge um novo cliente, são feitas visitas e checagens.


Recuperação

Em novembro de 2018, Vanderlei Cristiano Vieira Rodrigues, diretor da Saluter Terraplenagem, teve uma retroescavadeira roubada. A máquina trabalhava em uma obra da Sabesp, mas foi recuperada dois meses depois. Contudo, o seguro avaliou como perda total porque havia adulteração no chassi do equipamento, além de terem arrancado as plaquetas. De acordo com Cristiano, a retroescavadeira não tinha rastreador, mas em muitos casos esse sistema não funciona se no local não houver sinal de celular.


“O seguro nunca paga o valor da nota fiscal, mas sim do equipamento depreciado”, diz Cristiano. “Portanto se você negocia um bom desconto numa compra de várias máquinas novas, por exemplo, acaba ficando no prejuízo, porque somente é ressarcido o valor do produto já depreciado”. Cristiano já teve cinco equipamentos roubados, com valores ressarcidos pelo seguro. Além desses, já conseguiu recuperar duas retroescavadeiras e uma mini-máquina.


Ele também se queixa da falta de grupos policiais especializados nessa modalidade de sinistros. “As quadrilhas cruzam estados transportando máquinas roubadas e os policiais sequer param, nem sabem conferir a numeração dos chassis”, aponta. Como sugestão, Cristiano diz que os fabricantes de equipamentos poderiam desenvolver um sistema de partida com senha, ao invés de manter o sistema onde uma chave ligue todos equipamentos de um mesmo tipo.

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