Como calcular o preço da locação de equipamentos?

Existem diferentes formas de precificação, mas é fundamental considerar a variabilidade do trabalho, a particularidade de custos de cada locadora e as condições contratuais

Os empresários da locação de equipamentos para construção e prestadores de serviços de terraplenagem sabem o quanto é difícil estabelecer os preços pelos trabalhos que oferecem. Primeiro, porque não basta simplesmente relacionar os custos fixos e acrescer uma margem de valor, afinal há uma série de variantes que precisam ser consideradas, como depreciação da máquina, manutenção, pneus aluguel com ou sem operador, entre outros fatores.

Depois, a variabilidade do trabalho e a peculiaridade de custos de cada empresa também precisam ser consideradas de acordo com as particularidades dos contratos, como distâncias, pedágios, condições de trabalho dos equipamentos, tipo de desgaste e abrasividade a qual a máquina será submetida. “É necessário definir as condições de contratação, por exemplo, se a máquina vai trabalhar em aterro sanitário, movimentação de fertilizantes, terraplenagem etc”, considera Flávio Figueiredo, presidente da APELMAT/ SELEMAT.

“Na sequência, é necessário analisar se o locador vai agregar o preço do combustível, mão de obra, horas produtivas e improdutivas. Normalmente, quando o contrato é apenas para locação de equipamento sem operador é desnecessário incluir combustível, considera-se o horário tradicional de trabalho de segunda a sexta”, detalha Flávio. Por isso é importante conhecer as condições da prestação do serviço para se estabelecer um modelo de contratação ideal.

Flávio lembra, inclusive, que há variabilidade de consumo de combustível conforme o modelo do equipamento e de motores com potências diferenciadas. Esse fator muitas vezes é considerado dentro da sistemática de composição de preços. A conta é simples, um equipamento que oferece 25% ou 30% de produtividade adicional também tem um consumo de combustível equivalente, por isso é importante entender com o fabricante ou dealer como funciona essa variabilidade de produtividade versus custo operacional, para saber qual a entrega produtiva da máquina alugada.

Além de se contabilizar esses fatores, cabe destacar a variável mercadológica na composição dos preços. “Esse aspecto normalmente é avaliado pela oferta e demanda de locação de máquinas. Nos últimos anos, a procura pelo aluguel estava baixa, oferta elevada e muitos locadores acabaram praticando valores bem abaixo do mercado, com preços que mal davam para arcar com os custos do equipamento. Agora o mercado está reaquecendo, existe uma razoável demanda por máquinas, inclusive há falta de alguns modelos para trabalhos específicos. Por isso, não se justifica a prática de preços abaixo dos referenciais de mercado”, avalia o presidente da APELMAT/ SELEMAT.

Custo do equipamento por hora de trabalho

O primeiro passo na composição do preço de locação é saber quanto custa o equipamento trabalhando. Para isso, a Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração) aperfeiçoou seu programa interativo de custos horários de equipamentos utilizados em obras de construção de infraestrutura e mineração. A metodologia leva em conta o horímetro do equipamento, de forma a se obter os custos horários para cada etapa da vida do equipamento.

O programa estabelece unicamente o custo do equipamento em operação, utilizando valores médios, sem englobar horas improdutivas ou paradas por qualquer motivo, tampouco custos e impostos indiretos e expectativas de lucro. Considera, ainda, como premissas básicas que os equipamentos são operados e aplicados em conformidade com as especificações dos fabricantes e que os serviços de manutenção, lubrificação, trocas de óleos e filtros são executados em conformidade com as periodicidades e especificações dos fabricantes.

Por sua vez, estão excluídos do cálculo do custo horário: frete do equipamento até o local de operação, acidentes, aplicação e operação inadequadas, custos indiretos de supervisão, alojamento, refeição, equipamentos de proteção individual (EPI), custo de ferramentas e instalação de oficinas. Esses fatores devem ser computados pelo locador na composição de preço do aluguel.

De acordo com Nelson Costabile, responsável pelo Programa Custo Horário da Sobratema, determinadas parcelas que compõem o custo horário são calculadas com base no valor residual técnico do equipamento, de forma que o custo de propriedade seja decrescente ao longo da vida do equipamento e o custo de manutenção seja crescente. “Os valores sugeridos como padrão correspondem à experiência prática de vários profissionais, mas não devem ser tomados como única possibilidade de combinação, uma vez que todos os fatores podem ser influenciados pela marca escolhida, local de utilização, condições do terreno ou jazida, ano de fabricação, dentre outros”, explica.

Segundo ele, as parcelas que compõem o custo horário do equipamento são custo de propriedade, custo de manutenção, custo de material rodante/ pneus, custo de combustível e lubrificantes, custo de peças de desgaste e custo da mão de obra de operação.

O custo de propriedade compreende a depreciação e a remuneração do capital investido, além de seguros e licenciamento. “A depreciação é linear e constante ao longo da vida do equipamento, resultado do valor de reposição menos o valor residual e dividido pela vida útil estimada. Já as parcelas dos juros do capital, seguros e licenciamento são calculadas sobre o valor remanescente do equipamento, definido pelo seu valor residual técnico”, explica Costabile.

O valor de reposição é o valor de compra do equipamento novo, com todos os impostos inclusos, na configuração pré-definida para cada categoria de equipamento. O valor residual é estimado com a venda do equipamento ao final de sua vida útil, no estado em que se encontrar, sem passar por nenhuma recuperação. É estimado como um percentual do valor de reposição. A vida útil é a quantidade estimada de horas de utilização normal do equipamento novo, antes da reforma geral dos principais componentes.

Além disso, os juros fazem parte do custo médio estimado por hora trabalhada, referente ao capital empregado na compra do equipamento, onde se considera o valor residual técnico, as horas previstas de utilização anual e a taxa anual de juros adotada. Outros itens que compõem o custo de propriedade são seguro e licenciamento para máquinas que o requerem, como retroescavadeiras e motoniveladoras.

Manutenção


O custo de manutenção é composto pelas sub-parcelas de mão de obra de manutenção e de peças. Segundo Nelson Costabile, em ambas a função utilizada foi projetada de modo a assegurar um valor menor no início da vida útil, que irá crescendo no transcorrer do tempo, proporcional ao horímetro da máquina.

Enquanto o custo relacionado à mão de obra de manutenção se refere ao custo médio estimado por hora trabalhada do equipamento, base São Paulo, relativo à mão de obra direta empregada nos serviços de manutenção em geral, incluindo encargos sociais de 140% (valor sugerido), o custo de peças é o custo médio estimado por hora trabalhada do equipamento.

“É específico para o desgaste de peças originais de manutenção e serviços especializados de recuperação, durante o período de vida útil do equipamento. Esse custo é diretamente proporcional ao valor de reposição ou de aquisição de uma máquina nova, através de uma constante que é o índice de peças”, explica Costabile.

Na sequência, vem o custo de material rodante e de pneus, estimado por hora trabalhada do equipamento e referente ao desgaste desses itens em função do tipo de aplicação do equipamento, que pode ser leve, médio ou pesado. Em seguida, considera-se o custo de combustíveis e lubrificantes por hora trabalhada do equipamento, incluindo também o consumo de filtros. Nele são considerados os parâmetros de consumo para condições de trabalho e os preços praticados na cidade de São Paulo, atualizados anualmente.

Por fim, deve ser avaliado o custo de peças de desgaste, referente a ferramentas de penetração no solo (FPS), para os equipamentos que utilizam esse tipo de material, em função do tipo de aplicação do equipamento, além do custo de mão de obra de operação, estimado por hora trabalhada do equipamento, base São Paulo, referente à mão de obra direta empregada na operação do equipamento, incluindo encargos sociais de 140% como valor sugerido. De acordo com Costabile, a Sobratema utiliza um custo médio estimado de mão de obra para cada categoria de equipamento, cujo valor é atualizado anualmente.

Tabelas de referência


Atualmente, a maior parte das empresas de locação se baseia em tabelas de preços de locação de equipamentos para construção civil estipulados pelo mercado, sejam por organizações públicas ou privadas. Ao que se observa, quem forma os preços é o mercado, não o locador, embora haja necessidade de uma planilha com os diferentes critérios para a formação desse preço para que os profissionais possam se balizar.

Na tabela do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), por exemplo, uma das principais referências no mercado, as condições de aluguel remuneram diferentes situações de custos estipuladas para diferentes contratos de trabalho. No caso de custo horário improdutivo, está prevista a remuneração de itens como depreciação do equipamento, juros, e o custo de mão-de-obra. Em outra situação, é acrescida a manutenção.

Numa outra condição dessa tabela, o preço é baseado no custo horário produtivo que prevê remuneração da depreciação e juros, incluindo manutenção e materiais de consumo, como combustível, lubrificantes, graxa e filtros. Na sequência, vem outra condição que abrange essas situações e acresce a mão de obra de operação.

Outra modalidade praticada pelo DER é o custo horário produtivo por quilômetro percorrido em um único sentido, que prevê remuneração do custo variável, com manutenção e materiais de consumo, como combustível, lubrificantes, graxa, filtros, pneus, entre outros. Por fim, a opção com custo mensal produtivo, que prevê a remuneração do custo fixo sem operador, seguro, imposto, lavagem, pedágio, além de depreciação e juros.

Uma tabela elaborada por José Sorrentino Dias da Silva, diretor da GDias e ex-presidente da APELMAT, em conjunto com seis engenheiros, ajuda os locadores a estabelecerem os benefícios e despesas indiretas (BDI), ou custos indiretos periféricos de um projeto. Segundo a tabela, os riscos eventuais equivalem a 3%, administração central 1%, administração da obra 4%, emolumentos e taxas 15,55%, lucro 5%, imposto de renda (15% do lucro) 0,75%. Ao todo, o percentual do BDI equivale a 29,30% das despesas.

Além de estabelecer todas as variáveis para o cálculo de custos de diferentes modelos e categorias de equipamentos, a tabela estipula os demais cálculos para a composição do custo horário total, como depreciação, juros, manutenção, combustível, lubrificante e insumos, operador e pneus.

Dias também elaborou um cálculo de custo unitário por metro cúbico de material, com variáveis para diferentes distâncias percorridas por caminhões, que vão de 500 metros a 25 quilômetros. Nas variáveis considera-se metro cúbico por veículo, metro cúbico por máquina, bota-fora, espalhamento, compactação, custo com ou sem compactação, e preços com ou sem 20% de compactação.

Nessa tabela também há sugestão de preço do transporte de terra por metro cúbico, em distâncias que vão de 1 a 45 quilômetros, e variáveis que sugerem valores por metro cúbico no corte, no caminhão e no aterro. Por fim, a tabela também dá parâmetros de custo de corte, carga e transporte com bota-fora. Entre as variáveis, estão o custo horário de escavadeira para tempo médio no corte e carga, custo de caminhão para o transporte por metro cúbico, tempo médio de percurso, capacidade do caminhão, bota fora, entre outros cálculos e valores necessários.

Segundo Eurimilson Daniel, diretor da Escad Rental e secretário da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (ANALOC), existem muitas variáveis que obrigam as empresas de locação a terem diferentes critérios de estipular preço.

“Os parâmetros estabelecidos para a formatação de preços são desafiadores, precisam ser estudados de maneira minuciosa. A começar pela diferença nas questões tributárias entre locadoras de diferentes portes, por exemplo, onde uma empresa pequena com baixo faturamento paga menos imposto por nota fiscal que uma com faturamento maior”, detalha Daniel.

Nesse sentido, os fundamentos com que se calcula o preço/ hora da máquina mudam conforme os parâmetros de mercado e com base em fatores internos da locadora, sejam relacionamentos à alíquota paga ou a outros fatores que interferem na margem praticada. Por isso, cada item deve ser estabelecido com atenção.

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