10 de junho de 2026

|

Por: Miriam Leite

|

Tags: equipamento

|

Categorias: destaques, Equipamentos, Sustentabilidade, Tecnologia

Motores a etanol e biometano da AGCO apontam novo caminho para a descarbonização do agronegócio

A busca por alternativas aos combustíveis fósseis ganhou um novo capítulo no agronegócio brasileiro. A AGCO apresentou motores agrícolas movidos a etanol e biometano desenvolvidos integralmente no Brasil, reforçando a tendência de utilização de fontes renováveis para aumentar a eficiência operacional e reduzir as emissões de carbono nas atividades do campo.

Os novos motores AGCO Power foram projetados para equipar tratores de 200 a 300 cavalos de potência, faixa amplamente utilizada em operações como preparo de solo, plantio e transbordo. Segundo a fabricante, as tecnologias entregam desempenho semelhante ao dos motores a diesel, mas com menor impacto ambiental e potencial de redução dos custos operacionais.

Engenharia brasileira para motores sustentáveis

O desenvolvimento dos motores foi conduzido ao longo de três anos pela equipe de engenharia da AGCO no Brasil, com participação de produtores rurais, usinas e concessionários. Os equipamentos passaram por validações em condições reais de trabalho em culturas de cana-de-açúcar e grãos.

De acordo com a empresa, os motores não são adaptações de plataformas convencionais. Tanto a versão movida a etanol quanto a tecnologia a biometano foram concebidas desde a origem para operar com esses combustíveis, incorporando sistemas específicos de ignição, injeção e gerenciamento eletrônico.

A solução a etanol já acumula mais de 10 mil horas de testes em campo, demonstrando desempenho, durabilidade e curva de torque comparáveis aos motores diesel utilizados atualmente na agricultura.

Etanol e biometano ampliam autonomia energética no campo

Além da redução das emissões, os novos motores podem contribuir para a autossuficiência energética das propriedades rurais.

No caso do etanol, produtores de cana-de-açúcar e milho podem integrar a produção de combustível às atividades agrícolas, reduzindo a dependência de combustíveis externos. Já o biometano permite o aproveitamento energético de resíduos agrícolas e biomassa, transformando passivos em fonte de energia para as operações.

A utilização desses combustíveis também acompanha uma tendência crescente de valorização da economia circular e do aproveitamento integral dos recursos gerados dentro das propriedades rurais.

Agricultura de baixo carbono ganha novas alternativas

Segundo a AGCO, tanto o etanol quanto o biometano estão inseridos em ciclos renováveis de carbono e podem reduzir em até 90% as emissões de CO₂ equivalente quando comparados aos combustíveis fósseis.

Além do benefício ambiental, as tecnologias podem abrir oportunidades relacionadas à geração de créditos de carbono e ao atendimento de metas de sustentabilidade cada vez mais exigidas por mercados consumidores e cadeias globais de suprimentos.

O avanço dos motores movidos a biocombustíveis reforça o papel do Brasil como um dos principais laboratórios mundiais para soluções de agricultura de baixo carbono, aproveitando a ampla disponibilidade de biomassa e a liderança nacional na produção de etanol.

Chegada ao mercado está prevista para 2027 e 2028

A AGCO prevê iniciar a comercialização dos motores movidos a biometano a partir de 2027. Já a tecnologia a etanol deverá chegar ao mercado em 2028.

Com isso, o setor agrícola passa a contar com novas alternativas para reduzir a dependência do diesel, ampliar a eficiência energética e avançar na transição para modelos produtivos mais sustentáveis.

O que isso significa para o futuro do agro?

  • Redução da dependência de combustíveis fósseis;
  • Menor exposição às oscilações do preço do diesel;
  • Aproveitamento energético de resíduos agrícolas;
  • Potencial redução de emissões de carbono;
  • Maior autonomia energética nas propriedades rurais;
  • Fortalecimento da agricultura de baixo carbono.

A evolução dos motores a etanol e biometano demonstra que a transição energética no agronegócio já está em curso e tende a ganhar escala nos próximos anos, impulsionada pela combinação entre inovação tecnológica, sustentabilidade e eficiência operacional.