Mineração acelera eletrificação de máquinas e amplia automação nas operações
A eletrificação da mineração começa a transformar a dinâmica operacional das minas brasileiras. Empresas do setor avançam na substituição de equipamentos movidos a diesel por versões elétricas em diferentes etapas da produção mineral, em um movimento associado às metas de descarbonização e à busca por maior eficiência operacional.
A mudança envolve caminhões fora de estrada, carregadeiras, perfuratrizes, britadores e sistemas de transporte de minério. O avanço ocorre em meio à pressão de investidores, exigências da cadeia global de suprimentos e metas corporativas de redução de emissões.
Embora a mineração tenha participação limitada nas emissões brasileiras de gases de efeito estufa, companhias ampliam investimentos em tecnologias de menor impacto ambiental. Ao mesmo tempo, buscam reduzir custos com combustível, manutenção e paradas operacionais.
Operações subterrâneas lideram adoção de equipamentos elétricos
Nas minas subterrâneas, a eletrificação da mineração avança principalmente sobre carregadeiras utilizadas na movimentação de minério e alimentação de britadores. A substituição dos motores a diesel reduz a emissão de gases nos túneis e diminui a necessidade de ventilação intensiva nas frentes de lavra.
Com menor geração de fumaça e calor, as operações passam a operar com menos interrupções. Na mina Atacocha, no Peru, a adoção de equipamentos elétricos eliminou pausas operacionais antes necessárias para dispersão da fumaça produzida por máquinas a diesel.
Caminhões elétricos entram nas estratégias das mineradoras
O transporte mineral também começa a incorporar soluções eletrificadas. Caminhões fora de estrada movidos a eletricidade entram gradualmente nas estratégias de renovação de frota das mineradoras. Em Serra Norte, a Vale já opera caminhões autônomos monitorados por sensores ao longo das rotas internas da mina.
A substituição integral da frota ainda enfrenta barreiras ligadas ao custo de aquisição e à necessidade de adaptação da infraestrutura elétrica das operações. Como alternativa, parte das empresas passa a investir na conversão de caminhões originalmente movidos a diesel para sistemas elétricos.
Segundo a NewSteel, a tecnologia de conversão pode reduzir em até 80% os gastos com combustível e em até 90% os custos de manutenção.
Correias transportadoras reduzem circulação de caminhões
A eletrificação da mineração também avança sobre os sistemas fixos de transporte de minério. Correias transportadoras vêm sendo utilizadas para reduzir a circulação de caminhões e ampliar a eficiência logística das operações.
A Hydro Alunorte opera uma correia contínua de 11 quilômetros para transporte de bauxita entre o Porto de Vila do Conde e a refinaria. Já a Vale utiliza o sistema truckless, composto por 9,5 quilômetros de correias interligadas que transportam minério até a usina de beneficiamento.
Além da redução de emissões associadas ao transporte, o sistema permite movimentação contínua de grandes volumes de material. Em contrapartida, exige monitoramento permanente para evitar falhas capazes de interromper a cadeia produtiva.
Automação e eficiência energética avançam juntas
A incorporação de máquinas elétricas também amplia o avanço da automação nas minas. Pás escavadeiras elétricas passam a integrar operações de longo ciclo produtivo, enquanto perfuratrizes automatizadas reduzem a exposição de trabalhadores em áreas de maior risco operacional.
A eletrificação da mineração avança, assim, como parte de uma reorganização operacional das minas, combinando eficiência energética, automação e redução de custos ao longo da cadeia produtiva.


