17 de agosto de 2026

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Por: Miriam Leite

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Tags: mercado

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Categorias: destaques, equipamento, Mercado

Mercado de linha amarela deve crescer 4% em 2026, mesmo com juros elevados

O mercado brasileiro de equipamentos da linha amarela segue demonstrando resiliência diante de um cenário econômico desafiador. Segundo dados apresentados no 2º Radar Tendências, promovido pela Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos), a expectativa é de que as vendas do segmento cresçam 4% em 2026, alcançando 35.843 unidades comercializadas.

O desempenho projetado ocorre mesmo em um ambiente marcado por taxas de juros elevadas, crédito mais restrito e maior cautela por parte dos investidores. Ainda assim, a demanda por equipamentos permanece sustentada por setores estratégicos da economia, como infraestrutura, construção pesada, locação, mineração e agronegócio.

De acordo com os dados divulgados durante o evento, as vendas totais de máquinas e equipamentos — incluindo linha amarela, guindastes, plataformas elevatórias, manipuladores telescópicos, equipamentos para concreto, compressores portáteis, caminhões rodoviários e tratores pesados de pneus — deverão atingir 58.611 unidades em 2026, também representando crescimento de 4% em relação ao ano anterior.

Setor público lidera aquisições

No primeiro semestre do ano, o setor público foi responsável pela maior parcela das compras de equipamentos, concentrando 23% das aquisições. Na sequência aparecem a construção pesada (22%), locação (19%), construção leve (14%), agro e florestal (12%) e mineração (10%).

O resultado reflete o avanço de obras de infraestrutura e investimentos públicos em diferentes regiões do país, reforçando a importância dos equipamentos da linha amarela para a execução de projetos rodoviários, urbanos e logísticos.

A manutenção da taxa de juros em patamares elevados continua influenciando diretamente as decisões de investimento das empresas. Com financiamento mais caro, cresce a necessidade de avaliar cuidadosamente aspectos como produtividade, disponibilidade, consumo de combustível, custo operacional e valor residual dos equipamentos.

Nesse contexto, o planejamento da renovação de frota e a análise do custo total de propriedade tornam-se fatores cada vez mais relevantes para garantir competitividade e rentabilidade.

Locação ganha espaço no mercado

Outro destaque do estudo é o avanço contínuo do mercado de locação de equipamentos. Atualmente, 58% das construtoras alugam até 10% das máquinas utilizadas em suas operações.

A tendência acompanha uma movimentação observada em mercados mais maduros, onde a locação representa uma parcela significativa da utilização dos equipamentos. A modalidade oferece maior flexibilidade operacional e reduz a necessidade de imobilização de capital, tornando-se uma alternativa estratégica em períodos de maior incerteza econômica.

Renovação de frota e tecnologia impulsionam o setor

O levantamento também mostra que a renovação de ativos segue acontecendo de forma consistente. Cerca de 39% das empresas operam equipamentos com até cinco anos de uso, enquanto 43% possuem máquinas entre cinco e dez anos, evidenciando investimentos contínuos na modernização das frotas.

Paralelamente, o avanço da tecnologia embarcada vem transformando a gestão dos equipamentos. Sistemas de telemetria, monitoramento remoto e análise de dados já fazem parte da rotina de muitas operações, permitindo maior controle sobre produtividade, manutenção e disponibilidade dos ativos.

Perspectivas positivas

Apesar dos desafios econômicos, os indicadores apresentados pela Sobratema apontam para um mercado sólido e em evolução. O crescimento esperado para 2026 reforça a importância estratégica do setor de equipamentos para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira e evidencia a capacidade de adaptação das empresas diante de um cenário cada vez mais exigente.

Para fabricantes, distribuidores, locadores e usuários de equipamentos, o momento exige planejamento, eficiência operacional e atenção às oportunidades que surgem com a modernização do setor e a retomada dos investimentos em infraestrutura.