15 de maio de 2026

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Por: Redação

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Tags: mercado

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Categorias: destaques, Mercado

Indústria de materiais de construção cai 2% em abril, após reação observada em março

A indústria de materiais de construção voltou a desacelerar em abril, interrompendo a recuperação observada no mês anterior. Segundo o Índice da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, o faturamento deflacionado do setor recuou 2% na comparação com março, com ajuste sazonal, e caiu 4,9% frente a abril de 2025.

O resultado ocorre após um movimento de reação registrado em março, quando a indústria havia avançado 3,1% em relação a fevereiro e apresentado a primeira alta anual depois de nove meses consecutivos de retração.

Na avaliação da entidade, abril foi marcado por um ambiente mais pressionado para a indústria, diante da escalada das tensões no Oriente Médio e da alta do petróleo, que passou a afetar diretamente custos de combustíveis, logística e derivados.

A retração atingiu tanto os materiais básicos quanto os de acabamento. Na comparação mensal, os materiais básicos tiveram queda de 1,2%, enquanto os produtos de acabamento recuaram 2,8%. Frente a abril do ano passado, as retrações foram de 4,4% e 5,6%, respectivamente.

O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, Paulo Engler, afirma que o cenário internacional passou a exercer impacto direto sobre a atividade da indústria de materiais.

“O aumento das tensões no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e pressionou diretamente custos importantes para a indústria, especialmente combustíveis, logística e derivados. O diesel também passou a impactar de forma mais significativa a operação do setor, reduzindo competitividade e afetando o ritmo da atividade”, diz.

Além do cenário externo, a entidade avalia que os juros seguem limitando uma recuperação mais consistente da construção civil e da própria indústria de materiais.

“A manutenção da taxa de juros em patamar elevado continua restringindo crédito, investimentos e o ritmo da construção. Isso naturalmente impacta a indústria de materiais e contribui para um cenário de maior moderação no curto prazo”, acrescenta Engler.

No acumulado de 2026, o faturamento deflacionado da indústria de materiais registra retração de 4,8%. No recorte de 12 meses, a queda é de 3,7%.

Apesar da desaceleração observada em abril, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção mantém a projeção de crescimento de 1,9% para o fechamento de 2026, embora reconheça um ambiente de maior cautela para os próximos meses.

Segundo a entidade, o setor segue em um processo gradual de recomposição, ainda condicionado ao comportamento da política monetária, à estabilidade do cenário internacional e à evolução dos custos industriais.

O Índice ABRAMAT acompanha mensalmente o desempenho do faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção, com base em dados oficiais, pesquisas com associados e metodologia desenvolvida pela Ecconit.