27 de março de 2026

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Por: Redação

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Tags: locação

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Categorias: destaques, Equipamentos

Brasil tem 50 mil empresas de locação – 30 mil ligadas à construção – revela estudo da Analoc

O Brasil reúne cerca de 50 mil empresas de locação e 60% disso (30 mil) atuam na construção civil. Este é um dos principais insights do Rental Market Report 2025, levantamento encomendado pela Analoc (Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Máquinas, Equipamentos e Ferramentas) à consultoria KPMG. A Apelmat apoiou a iniciativa e participou do evento de lançamento do relatório, no último dia 26.

O levantamento estima que o mercado brasileiro de locação movimenta cerca de R$ 49 bilhões e emprega mais de 200 mil pessoas. Com esse aparato, contribui para os cofres públicos com o recolhimento de R$ 9 bilhões em impostos. “Este é o primeiro estudo que mostra um raio-X do setor de locação do Brasil, com dados estruturados sobre tamanho de mercado, perfil das empresas e dinâmica de crescimento”, diz Eurimilson Daniel, diretor da Analoc e associado da Apelmat.

Perfil fragmentado das empresas de locação

O estudo aponta que o mercado brasileiro de locação é fragmentado, com predominância de pequenas empresas. Cerca de 94% das companhias do setor são pequenas ou micro e estão enquadradas no Simples Nacional, o que indica baixa concentração de mercado e forte pulverização regional. Ou seja: há locadores espalhados por grande parte do país e esse segmento representa uma oportunidade de empreendimento a muitos brasileiros.Ao mesmo tempo, locadoras de maior porte operam com presença regional ou nacional, focadas em grandes e especializados contratos.

Com essa configuração, o faturamento médio per capita da locação no Brasil é estimado em R$ 230,00 com participação de cerca de 0,4% no PIB, o que ainda indica espaço para avanço em comparação a mercados internacionais que estão mais maduros para o rental.

Crescimento sustentado por construção e novos setores

O crescimento do setor segue ligado à dinâmica da construção, especialmente em infraestrutura, habitação e projetos industriais. Programas públicos e concessões continuam sendo vetores relevantes, ainda que limitados por restrições fiscais e custo de capital.

Ao mesmo tempo, o estudo mostra avanço da locação em segmentos fora da construção. Indústria, mineração, energia, logística, eventos e agricultura ampliam a demanda e contribuem para reduzir a dependência de ciclos da construção, por exemplo.

A diversificação é vista como um dos principais movimentos do setor, de modo que modelo de locação ganha espaço por reduzir necessidade de investimento, transferir riscos operacionais e permitir maior flexibilidade para empresas.

Segundo o estudo, a taxa média de penetração da locação no Brasil está em torno de 40%, com variações relevantes entre segmentos. As plataformas aéreas têm taxa superior e a linha marela inferior, por exemplo.

Escala do Sudeste

Regionalmente, o Sudeste foi confirmado como o principal mercado para o rental, representando cerca de 60% das locações de equipamentos. A região reúne o maior número de empresas (25 mil – ou metade do total), além de registrar maior nível de profissionalização.

O estudo não especifica a participação de cada estado da região, mas destaca São Paulo e Rio de Janeiro como principais destinos de operações de grande porte e contratos mais complexos. São Paulo, especificamente, é vista com atenção por concentrar mais de 30% do PIB do País e sediar algumas das principais locadoras de equipamentos do mercado.

“O apoio a esse estudo foi natural desde o início. A Apelmat acompanha de perto a evolução do setor e está satisfeita em observar que o mercado que representa — São Paulo — mantém sua alta participação no segmento”, diz Wanderley Correia, presidente da Apelmat.

Outras regiões aparecem com dinâmicas distintas. O Nordeste, por exemplo, foi identificado como o segundo maior mercado, com crescimento puxado por energia e infraestrutura. Já o o Sul mantém perfil mais industrial e organizado, enquanto o Centro-Oeste e o Norte apresentaram maturidade menor, mas avanço associado ao agronegócio, mineração e logística.

Perspectivas 

Após um ciclo de crescimento pós-pandemia, o setor de locação entra em fase de expansão mais moderada. Em 2025 o crescimento esteve próximo a 10% e a previsão é de desaceleração gradual nos próximos anos. 

O aumento da concorrência e a maior oferta de equipamentos têm pressionado preços e reduzido as taxas de utilização. O estudo da Analoc indica que a taxa de utilização dos equipamentos caiu de cerca de 65%–70% em 2023 para aproximadamente 55% em 2025, refletindo o aumento da oferta e e competitividade. Além disso, fatores macroeconômicos seguem no radar, como juros elevados, inflação persistente e incertezas políticas, que afetam decisões de investimento de longo prazo.

Ainda assim, o estudo indica que o mercado de locação deve continuar avançando, impulsionado pela necessidade de infraestrutura, pela expansão de setores industriais e pela mudança estrutural no comportamento das empresas, cada vez mais orientadas ao uso em vez da posse de ativos.