Após paralisação, “caçambeiros” conseguem melhorias para o frete em SP
Ontem (30), um grupo independente de transportadores da construção civil organizou paralisação na Grande São Paulo para reivindicar melhorias no preço do frete. Os “caçambeiros”, como são popularmente conhecidos os motoristas e detentores de caminhões basculantes no setor de construção e terraplenagem, pediram a recomposição do valor dos fretes, sem reajuste desde 2021 e bastante prejudicados pela alta recente dos combustíveis.
Na própria noite de ontem a paralisação foi encerrada de forma parcial, após avanço nas negociações entre transportadores autônomos e empresas contratantes. O movimento, que reuniu mais de 800 caminhões, foi organizado pelos próprios caminhoneiros, sem liderança sindical ou articulação política.
“Conseguimos um reajuste que deu para voltar a trabalhar. Não é o ideal, mas já é um começo”, disse um dos transportadores envolvidos na negociação. Segundo ele, o impasse foi agravado pelo aumento recente do diesel e pela elevação de custos operacionais, como manutenção, pneus, pedágios e alimentação. Os transportadores também apontam impacto da carga tributária em 2026.
Acordo estabelece novos parâmetros
A Revista Apelmat teve acesso a um termo de acordo formalizado entre transportadores e empresas, com definição de valores mínimos para retomada das atividades. O documento estabelece:
- R$ 350 por viagem para distâncias de até 10 km
- R$ 1,77 por km rodado por m³ entre 10 km e 20 km
- R$ 1,50 por km rodado por m³ acima de 20 km
Cerca de 487 transportadores aderiram formalmente aos acordos, que passam a ter efeito imediato.

Cards sobre a paralisação circularam em grupos e chats na segunda-feira (30.30)
Retomada ocorre de forma desigual
Apesar da formalização, a retomada não foi unânime, pois parte das empresas anunciou reajustes e retomou as operações, enquanto outras ainda não apresentaram propostas.
Uma das contratantes informou aumento de 18% no frete para os carreteiros que atuam em suas obras. Outras empresas negociaram valores específicos por contrato. “Nas empresas que não aumentaram o frete, a orientação é não carregar”, disse um dos organizadores do movimento.
A estratégia adotada pelos transportadores é condicionar o retorno integral das atividades à aplicação dos novos valores. A avaliação é de que a paralisação criou uma referência mínima para o frete e aumentou a capacidade de articulação da categoria.
Melhorias, como limitação de 12 metros cúbicos, devem ser conquistadas
A Apelmat e o Selemat parabenizam os envolvidos nas negociações pela rápida retomada dos serviços e pelo acordo inicial firmado. A entidade trabalha pelo desenvolvimento contínuo dos setores de construção, locação e terraplenagem e continua atuando em busca de avanços estruturais, que visam melhorar as condições de trabalho e o desenvolvimento econômico do país.
É o caso da limitação à carga de 12 metros cúbicos nos caminhões basculantes. A Apelmat entende que esta limitação é necessária para que os caminhões andem na faixa de peso ideal, tanto para garantir a preservação das vias quanto para a vida útil dos caminhões basculantes.
“Na prática, o excesso de carga eleva o custo do transportador e da administração pública, à medida que deteriora as rodovias, ruas e viadutos. Com as pressões inflacionárias sobre o frete, entendemos que esse movimento pode ajudar no equilíbrio das contas e das condições de trabalho em prol de todo o setor”, diz Wandy (Wanderley Cursino Correia), presidente da Apelmat.





