6 de novembro de 2026

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Por: Redação

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Tags: infraestrutura

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Categorias: destaques, Obras

CNI aponta obras e integração de modais como prioridades para infraestrutura logística

A recuperação de 12 mil quilômetros de ferrovias sem operação, a ampliação da capacidade de transporte sobre trilhos e a integração com portos, hidrovias e rodovias estão entre as prioridades para melhorar a infraestrutura logística brasileira. As medidas respondem a um problema identificado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI): 75% dos empresários industriais consideram o transporte o principal gargalo de infraestrutura do País.

O diagnóstico, apresentado em pesquisa com 2,5 mil executivos de empresas de médio e grande portes, aponta uma contradição na matriz logística brasileira. Embora a indústria dependa fortemente das rodovias, há interesse em transferir parte das cargas para outros sistemas. Para isso, entretanto, é necessário ampliar a disponibilidade e a eficiência da infraestrutura ferroviária e aquaviária.

Atualmente, 98% das empresas consultadas utilizam o transporte rodoviário. Em 23% delas, os produtos percorrem distâncias superiores a 1.600 quilômetros. A concentração das operações nas estradas aumenta a exposição das empresas aos custos do transporte rodoviário e evidencia a necessidade de oferecer alternativas para deslocamentos de longa distância.

A pesquisa mostra que 45% dos empresários que utilizam caminhões aceitariam transferir parte das cargas para outros modais, caso existissem condições adequadas. Entre os interessados, 67% escolheriam as ferrovias e 12% indicariam o transporte aquaviário.

Recuperar a malha ferroviária é parte da solução

A expansão ferroviária, porém, exige enfrentar primeiro a baixa utilização da estrutura existente. A rede brasileira tem aproximadamente 30 mil quilômetros, mas 12 mil quilômetros estão sem operação. Na década de 1950, a extensão chegou a cerca de 37 mil quilômetros.

Para Wagner Cardoso, superintendente de Infraestrutura da CNI, a avaliação negativa do setor ferroviário pelos empresários está relacionada a problemas históricos de expansão e aproveitamento da malha.

A agenda defendida pela entidade envolve tanto obras quanto mudanças regulatórias. Entre as medidas necessárias estão ampliar o direito de passagem, facilitar o acesso de diferentes operadores às linhas, aumentar a disponibilidade de capacidade e garantir a interoperabilidade entre as redes.

Outro desafio é transformar projetos de concessão e autorização em empreendimentos efetivamente implantados. A abertura de novas rotas precisa vir acompanhada de condições para conectar os sistemas existentes e ampliar a participação ferroviária no transporte de cargas.

A percepção dos empresários reforça a dimensão desse trabalho. Apenas 21% avaliam positivamente o desenvolvimento da infraestrutura ferroviária. Nas hidrovias, o índice chega a 27%. Rodovias e portos registram, respectivamente, 38% e 44%.

Projetos precisam combinar investimento e regulação

A execução dessa agenda depende da capacidade de financiamento e da previsibilidade regulatória. A CNI defende maior participação do capital privado na expansão e modernização dos sistemas de transporte, especialmente diante das limitações fiscais do setor público.

Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da entidade, avalia que a experiência de setores como aeroportos e telecomunicações demonstra a importância de combinar investimentos privados com regras estáveis e modelos regulatórios consolidados.

O saneamento básico também é citado como referência. Segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), a participação privada nos investimentos do setor passou de 18%, em 2020, para 52%, em 2024, após a aprovação do Marco Legal do Saneamento.

A CNI ressalta, contudo, que o capital privado não elimina a necessidade de recursos públicos. A combinação dos investimentos é considerada fundamental para acelerar a implantação dos projetos.

Custo logístico dimensiona a urgência

A necessidade de ampliar a infraestrutura aparece também no impacto econômico sobre a indústria. Para 75% dos empresários, os custos de transporte são altos ou muito altos. Além disso, 91% afirmam que as despesas logísticas aumentaram na última década. Para 70%, a elevação foi expressiva e comprometeu a competitividade das empresas.

A redução de custos é, inclusive, a principal razão para a disposição de transferir cargas entre modais, mencionada por 82% dos empresários que consideram essa possibilidade. A diminuição de acidentes rodoviários, emissões e roubos de cargas também aparece entre os fatores.

Os dados indicam que a agenda de infraestrutura logística precisa avançar em três frentes: recuperar estruturas ferroviárias sem utilização, construir novas conexões e melhorar a integração operacional entre os modais. Sem essas intervenções, a indústria continuará dependente das rodovias mesmo quando outros sistemas poderiam oferecer alternativas mais eficientes para o transporte de longas distâncias.

A pesquisa foi realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com representantes de 2.500 empresas industriais de médio e grande portes nas 27 Unidades da Federação. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.