16 de setembro de 2026

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Por: Miriam Leite

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Tags: equipamento

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Categorias: destaques, Equipamentos, Negócios

XCMG Brasil vende 251 caminhões elétricos à Navarini por R$ 500 milhões

A XCMG Brasil e a Transportadora Navarini fecharam um contrato para a aquisição de 251 cavalos mecânicos 100% elétricos E7-95T, em uma operação avaliada em aproximadamente R$ 500 milhões. O acordo, assinado na sede global da XCMG, em Xuzhou, na China, cria a maior frota de caminhões rodoviários elétricos da América Latina, segundo as empresas.

A Transportadora Navarini, com sede em Sorriso (MT), atua no transporte ligado ao agronegócio. A operação amplia o uso de caminhões elétricos para o transporte pesado de cargas e para rotas associadas ao escoamento da produção agrícola brasileira.

Caminhão elétrico tem capacidade de tração de 120 toneladas

O XCMG E7-95T foi desenvolvido para aplicações de alta exigência. O modelo possui Peso Bruto Total (PBT) de 74 toneladas e Capacidade Máxima de Tração (CMT) de 120 toneladas.

Por utilizar propulsão elétrica, o caminhão não emite gases de efeito estufa durante a operação. A tecnologia também pode proporcionar redução de ruído, manutenção e custos operacionais em comparação com veículos convencionais a diesel, dependendo das condições de utilização e da matriz elétrica empregada no carregamento.

Segundo Hilário Matzenbacher, executivo da XCMG Brasil responsável pelo projeto, a negociação foi precedida por estudos da operação e testes em condições reais.

“Depois de meses de trabalho, estudos da operação, análise de relevo, entendimento das necessidades do cliente e testes em condições reais, chegamos a uma solução capaz de unir produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade”, afirma.

Eletrificação do transporte chega ao agronegócio

A aquisição representa uma expansão da aplicação de caminhões elétricos no transporte rodoviário pesado, segmento que apresenta desafios adicionais para a eletrificação devido às grandes distâncias, peso das cargas e necessidade de disponibilidade dos veículos.

Para Luis Fernando Navarini, fundador da Transportadora Navarini, o projeto começou em 2024, quando a empresa decidiu avançar na eletrificação de sua frota.

“Nosso objetivo nunca foi apenas comprar caminhões elétricos. É mudar a cultura do transporte no Brasil e provar que a eletrificação funciona onde ninguém acreditava que funcionaria: no pesado, na longa distância, na poeira da safra”, afirma.

Ainda de acordo com o executivo, os veículos foram submetidos a testes na operação da empresa antes da formalização do negócio. A avaliação considerou condições severas de utilização e aspectos como autonomia, desempenho com carga e custo operacional.

Projeto envolveu testes e dimensionamento da operação

A negociação entre XCMG e Navarini envolveu o desenvolvimento de uma solução específica para a operação da transportadora. O trabalho incluiu o levantamento das características das rotas, análise do relevo, dimensionamento técnico e testes do E7-95T.

A estratégia busca adequar a utilização dos caminhões elétricos às características do transporte de cargas do agronegócio, considerando tanto o desempenho dos veículos quanto os custos e a infraestrutura necessária para a operação.

Para a XCMG Brasil, o projeto também amplia a presença de veículos elétricos no transporte de cargas brasileiro. A empresa possui uma fábrica em Pouso Alegre (MG), onde mantém sua operação industrial no País.

XCMG amplia portfólio de veículos elétricos

A XCMG vem ampliando sua atuação no mercado brasileiro de equipamentos e veículos elétricos. A estratégia inclui soluções voltadas a diferentes aplicações, com foco na redução do consumo de combustíveis fósseis e das emissões associadas às operações.

Com o contrato com a Transportadora Navarini, a eletrificação avança para uma aplicação de maior porte dentro do transporte rodoviário de cargas, especialmente relevante para cadeias logísticas ligadas ao agronegócio.

“Parabenizamos a Transportadora Navarini pela visão e pelo pioneirismo. Juntos vamos continuar desenvolvendo a eletrificação do agronegócio e construindo uma nova geração para o transporte pesado no Brasil”, afirma Matzenbacher.